Manual da menopausa: sintomas, tratamentos e como conviver com ela

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De acordo com a Organização Mundial da Saúde, o climatério é o período de transição entre o tempo reprodutivo e o não reprodutivo da vida de uma mulher, quando se inicia a menopausa.

A fase que precede a última menstruação é chamada de climatério. O período que se segue é a – temida – menopausa. Conversamos com a ginecologista e obstetra Ana Claudia Siqueira a respeito desse momento tão conturbado na vida das mulheres.

A especialista explica que o climatério é a fase em que os ovários deixam de produzir, lenta e progressivamente, os hormônios estrogênio e progesterona.

Por isso podem ocorrer ciclos menstruais irregulares, assim como haver mudança no fluxo menstrual, que ganha maior ou menor intensidade, conforme o caso. Este período pode se estender de dois até oito anos.
Já a menopausa é um marco do climatério, que normalmente ocorre entre os 45 e 55 anos. Ocorrendo antes dos 40 ou depois dos 55 anos é classificada como precoce ou tardia, respectivamente.

“A menopausa pode ocorrer naturalmente ou após procedimentos clínicos e/ou cirúrgicos que levem à parada da produção hormonal ovariana”, diz Ana Claudia. Há uma indicação de que a idade da ocorrência da menopausa tenha explicação genética. É que ela surge mais cedo naquelas mulheres cujos ciclos menstruais são mais curtos do que 26 dias. Além disso, a menopausa pode ser antecipada de um a dois anos nas fumantes.
O que incomoda a grande maioria das mulheres são os sintomas trazidos pelas mudanças hormonais.

Todas as mulheres irão passar por isso, porém, os sintomas que atingirão cada uma dela podem variar. Os principais sintomas – para cerca de 70% das mulheres – são os vasomotores, chamados de calorões. “É uma sensação de calor intenso no rosto, no pescoço, na parte superior do tronco e nos braços. Raramente acomete parte inferior do corpo”, esclarece Ana Claudia. Depois aparece a vermelhidão da pele e, em alguns casos, o suor excessivo.
Esse calorão pode acontecer à noite, episódios em que a mulher acorda com a sensação de calor e sudorese significativa.

“É o famoso ‘tapa-destapa’. Muitas vezes esses calorões noturnos são os responsáveis pela queixa comum de insônia, contribuindo para maior irritabilidade, cansaço e redução da capacidade de concentração”, diz Ana Claudia.
Outras queixas frequentes são o ressecamento vaginal, incontinência urinária, e outros sintomas urinários como infecções recorrentes, que ocorrem devido a atrofia do órgão, pela falta do hormônio estrógeno.
“Esse ressecamento interfere diretamente na qualidade da relação sexual e contribui para diminuição da libido”, destaca a especialista.

Quando a menopausa gera preocupação?

Há casos em que a mulher passa muito bem por esse período, sem sofrer em demasia com os sintomas. A procura por uma solução está ligada ao nível de incômodo que o problema traz. Porém, uma grande preocupação é o aumento do risco cardiovascular, pois o estrogênio – que está em falta nesse período -exercia cardioproteção até então.

Com a menopausa, aumenta o risco de deposição de gorduras em veias e artérias e também do surgimento da hipertensão arterial. Além disso, o declínio hormonal ocasiona diminuição do metabolismo. “Isso faz com que haja uma dificuldade de perda de peso. Ocorre uma alteração na distribuição da gordura corporal, onde há um acumulo de gordura no abdômen”, comenta Ana Claudia, a respeito de um dos grandes temores que cercam esse período na vida das mulheres.

O hipoestrogenismo (falta do estrogênio) causa uma perda de massa óssea, favorecendo assim, a osteoporose. Distúrbios do sono também são frequentemente relatados. Mas, além desses problemas físicos, as mulheres em fase de menopausa costumam sofrer de alterações emocionais. Alterações do humor, como irritabilidade, ansiedade e até mesmo relatos de depressão são comumente levados ao consultório. As reações depressivas podem se somar e ser uma expressão afetiva comum dessa fase da vida, já que se trata de um momento caracterizado por mudança nos papeis familiares e sociais.
A saída dos filhos de casa, aposentadorias, perdas dos pais, relacionamentos conjugais muitas vezes desgastados. São muitos fatores que podem se somar à questão hormonal e culminar num problema psicológico, que exija cuidados.

É importante assegurar, porém, que, apesar de algumas vezes apresentar dificuldades, o climatério é um período importante e inevitável da vida, não devendo ser encarado como doença. “Às vezes é vivenciado como uma passagem silenciosa (sem queixas), outras vezes, essa fase pode ser muito expressiva, acompanhada de sintomas que geram alterações na rotina. Cada mulher vivencia seu climatério de acordo com sua singularidade”, defende a ginecologista e obstetra Ana Claudia Siqueira.

Tratamento hormonal gera polêmica

A terapia de reposição hormonal na menopausa (THM) tem sido objeto de muita discussão e especulação desde a década de 1960. Antes de 2002, não se questionavam os benefícios da THM. Riscos, já se sabia, existiam. Mas, acreditava-se que eles eram amplamente compensados pelos benefícios. Isso começou a mudar com a publicação de estudos, primeiro em 1998, e depois reforçados por pesquisas de 2002 e 2004. Desse momento em diante, se estabeleceram alguns critérios para o tratamento da menopausa, tais como idade da paciente, tempo de menopausa, sintomas, doses, via de administração e patologias previas, entre outros. Cada paciente deveria ter, de forma individualizada, analisados os seus riscos e benefícios antes de receber ou não THM.

“Não se tem dúvidas de que o método mais eficaz para tratar a menopausa é a terapia de reposição hormonal. Ela traz de volta ao organismo os hormônios estrogênio e progesterona. Atualmente, as principais indicações para uso de THM são os sintomas de calorões, a osteoporose, e para pacientes avaliadas e adequadamente selecionadas ao tratamento. Este, idealmente, deve iniciar precocemente, ao diagnóstico da menopausa e deve ter duração no máximo de cinco anos, um período em que os estudos mostram haver poucos efeitos adversos”, opina Ana Claudia Siqueira.

Porém, há de se ter cuidados com esse tratamento. Pacientes com histórico de doença tromboembólica ou câncer de mama não devem usar terapia de reposição hormonal. Doença hepática grave em atividade também é um contra-indicativo ao uso de THM. Quanto ao grau de associação de câncer de mama à reposição hormonal, Ana Claudia diz que ele continua muito controverso. “Sabe-se que mulheres acima de 50 anos tem 10% de probabilidade de desenvolver câncer de mama. Estudos demonstram que pode haver uma relação do tempo de uso de THM com o risco do desenvolvimento do dessa patologia”, diz a ginecologista.

Vários estudos concluíram que mulheres que iniciaram THM após 10 anos da menopausa apresentam risco aumentado de doença cardiovascular. Enquanto mulheres que iniciam antes desse período tendem a ter baixo risco de eventos cardiovasculares, o que é conhecido como janela de oportunidade. Já os sintomas de ressecamento vaginal podem ser tratados com reposição de hormônio local, através de cremes ou óvulo vaginal, ajudando assim na qualidade da vida sexual.

Atividade física auxilia a superar os sintomas

A preparação física pode ser decisiva na hora da busca pela qualidade de vida, mesmo durante a menopausa. Segundo a educadora física Raíssa Joner, em decorrência da perda da função hormonal, o metabolismo feminino diminui cerca de 2% ao ano durante a menopausa. Isso, somado à diminuição das necessidades nutricionais, afeta diretamente a composição corporal da mulher, havendo grandes tendências para o aumento de peso e do deposito de gorduras abdominais. Também é relatada a perda de massa muscular – de cinco a 10% por década – principalmente nos membros inferiores e aumento da pressão arterial, gerando uma expectativa ainda maior de apresentar possíveis doenças cardiovasculares.

Entre as alternativas para redução sintomática da menopausa está a prática de exercícios físicos regulares. “Já é comprovado cientificamente por meio de vários estudos que exercícios regulares – três vezes por semana por uma hora ou todos os dias por 30 minutos – diminuem os sintomas físicos, ajudam no controle de peso, auxiliam no aumento e na manutenção da massa magra e da massa óssea, aumenta a autoestima, aumenta a capacidade cardiovascular e cardiorrespiratória, ajuda na socialização com outras pessoas e principalmente causa bem estar físico e mental”, diz Raíssa.

Os exercícios mais indicados para esse público de mulheres são musculação para aumento e manutenção de massa muscular. “Lembrando que quanto mais massa muscular nós possuímos, mais acelerado fica o nosso metabolismo”, destaca Raíssa. Também são importantes exercícios aeróbicos de impacto, como corrida orientada, danças e caminhadas intercaladas de corrida, para favorecer o aumento da queima de gorduras, melhorar a capacidade cardiovascular e respiratória e elevar o depósito de cálcio nos ossos. “O ideal é que toda mulher pratique exercícios regulares a vida inteira, como forma de prevenção e promoção da saúde”, diz a educadora física, lembrando que, cuidar-se desde a juventude, colabora para um envelhecimento mais saudável.

Tratamento não hormonal
Existem tratamentos não hormonais que atuam em determinados sintomas da menopausa. Alguns antidepressivos são alternativa no tratamento dos calorões, além de ajudarem a diminuir a incidência de depressão.
A ingestão de óleo de linhaça e óleo de prímula também ajuda a reduzir esses episódios, além de atuarem contra envelhecimento precoce, são antioxidantes e anticancerígenos.
Já o controle da osteoporose pode ser feito através da reposição adequada de cálcio e de vitamina D, além de tratamentos específicos, quando necessário. (fonte: Jornal Ibiá)

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